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16 -October -2019 - 09:23

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Aumento do comércio bilateral Brasil-Índia em 2011 PDF Imprimir E-mail

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), publicados em 13/01, a corrente de comércio do Brasil com a Índia alcançou, em 2011, US$ 9,28 bilhões, montante 20% superior ao registrado em 2010. Com esse resultado, a Índia ocupou a 11ª colocação entre os principais parceiros comerciais do Brasil, um degrau acima da posição obtida no ano anterior. O aumento do
comércio bilateral foi motivado pelo crescimento de 43% das importações, que chegaram a US$ 6,08 bilhões, cabendo a este país o 9º lugar entre os maiores provedores de bens ao Brasil (10º em 2010). As exportações, por sua vez, sofreram uma redução de 8% e fecharam o ano em US$ 3,20 bilhões, tendo sido a Índia o 18º principal destino dos produtos brasileiros no ano passado (16º em 2010). O déficit brasileiro no comércio bilateral aumentou 284% e alcançou US$ 2,88 bilhões (US$ 750 milhões). A Índia ocupou a 5ª posição entre os parceiros comerciais com os quais o Brasil registrou saldo comercial negativo em 2011.


Assim como em 2010, os principais produtos exportados pelo Brasil para este país, no ano passado, foram petróleo (NCM 27090010), cobre (NCM 26030010), óleo de soja (NCM 15071000) e açúcar (NCM 17011100). Note-se, entretanto, que, com a recuperação da produção local de açúcar, as vendas brasileiras do produto diminuíram 86%. Do lado das importações, os principais produtos da pauta foram óleo diesel (NCM 27101921), coques de hulha (NCM 27040010) e fios têxteis (NCM 54023300).

 

A participação das trocas comerciais com a Índia no conjunto do comércio exterior brasileiro caiu de 2,02%, em 2010, para 1,92%, por conta sobretudo da redução das exportações para este país em relação ao total exportado, de 1,73% para 1,25%. No caso das importações, o percentual manteve sua tendência ascendente e subiu de 2,33% para 2,69%.


Os resultados acima demonstram que, de maneira geral, persistem as principais tendências que se vêm conformando no comércio entre Brasil e Índia desde meados da década de 2000. Por um lado, mantém-se crescimento sustentado da corrente de comércio bilateral, graças principalmente ao aumento das importações, com geração de saldo negativo crescente para o Brasil. Por outro lado, amplia-se a concentração das trocas comerciais em produtos da cadeia de combustíveis (petróleo e óleo diesel), cuja participação na corrente de comércio total já ascende a mais de 50%. O percentual do petróleo no valor das exportações subiu de 36% para 53% e, do lado das importações, as compras de óleo diesel passaram de 41% a 51% do total.


Essas características da pauta comercial expõem o grau de concentração das bases sobre as quais têm crescido as trocas entre Brasil e Índia nos últimos anos. Na falta de diversificação relevante do comércio bilateral, é possível que o dinamismo recente venha a ser, a médio prazo, mitigado em função de um aumento da capacidade de processamento de petróleo no Brasil, decorrente da concretização de projetos para a construção de novas refinarias no país.


A diversificação da pauta comercial adquire, nessas circunstâncias, especial importância, com vistas a dar maior solidez ao intercâmbio comercial entre os dois países. Uma diversificação que abarcasse o aumento das exportações brasileiras teria a conveniência adicional de contribuir para
o reequilíbrio das trocas bilaterais. Como se sabe, no entanto, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil com maior potencial de penetração neste país enfrentam dificuldades no acesso ao mercado indiano. No caso de produtos do agronegócio (como o açúcar), as barreiras tarifárias e o nível de regulação ainda são elevados. A carne de frango congelada tem reduzida comercialização, por conta de estrutura pouco capitalizada do varejo e de carências de infra-estrutura (cadeia de frio). Produtos manufaturados de baixo valor agregado (como o aço) chegam menos competitivos a este mercado, em comparação com aqueles fornecidos por produtores mais próximos (como China e países do Leste Europeu), em razão dos custos de transporte.


Fonte: Embaixada do Brasil em Nova Delhi -19.1.2012